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Esboços das mensagens da série "Mais vida":
Dia 18/2/2018:
Estive enfermo
Marcos 9.14-27 
Muitas vezes o tem lançado no fogo e na água para matá-lo. Mas, se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos” (Marcos 9.22). 
A cura do menino enfermo demonstra o cuidado de Jesus com nossas necessidades HUMANAS.
Este mesmo episódio também é narrado em Mateus 17.14-18 e em Lucas 9.37-43.
O quadro clínico do menino estava mais para um diagnóstico de epilepsia do que para um problema de possessão demoníaca.
Aquele pai procurou socorro entre os discípulos de Jesus, mas estes não conseguiram atende-lo.
À época de Jesus, a doença ainda era tratada como um mistério, quer seja como um problema de ordem moral – como um castigo divino pelo pecado –, quer seja como resultado de um problema de ordem espiritual – como uma possessão demoníaca.
A medicina evoluiu a partir do momento em que se compreendeu a doença como parte de nossa natureza humana. Até então, a função médica era entendida como uma atividade imunda ou impura.
Compreender a doença ajuda a entender melhor a nossa condição humana e a desenvolver o cuidado de si.
A preocupação de Jesus estava mais voltada para os efeitos sociais da enfermidade do menino, que provocava grande sofrimento àquela família ao não saber lidar com os problemas de saúde do filho.
Quando alguém enfrenta dificuldades de saúde, isso aflige toda a vida em família.
O maior desejo humano é por uma vida saudável. A saúde não é só uma aspiração, mas também um direito. Uma vida digna passa por acesso a condições de saúde.
Deus é o maior interessado em que tenhamos uma vida mais saudável. Ele cuida de nós em meio à enfermidade.
O Senhor o assiste no leito da enfermidade; na doença, tu lhe afofas a cama.” Salmos 41.3 ARA
Por que ficamos enfermos? O que a Bíblia nos diz:
a) A enfermidade é resultado da QUEDA – “[...] com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida [...] até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó e ao pó voltará” (Gênesis 3.17-19). A doença não é causada pelo pecado, mas a escolha humana de viver longe de Deus trouxe consigo o sofrimento, a dor e a morte.
b) A enfermidade é ocasião de APRENDIZADO – “Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me protegem” (Salmos 23.4). Através da doença, aprendemos melhor o sentido da humildade, da disciplina e da compaixão.
c) A enfermidade é OPORTUNIDADE para que a glória de Deus se manifeste na vida – “Ao ouvir isso, Jesus disse: ‘Essa doença não acabará em morte; é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela’” (João 11.4). Deus sempre quer restaurar o doente e, com isso, manifestar-lhe seu poder e graça.
A filósofa norte-americana Susan Sontag, em A doença como metáfora, analisou o uso da doença como uma metáfora para descrever o lado sombrio da vida, por causa dos preconceitos e a maneira de encará-la a partir de mistérios, gerando toda sorte de moralismos em torno da enfermidade.
O doente é visto como uma pessoa de outro mundo, aquele que vive no mundo da doença, como se houvesse um mundo só para os saudáveis.
Jesus também usou a doença como metáfora para descrever a nossa condição diante de Deus. Quando os fariseus reclamaram que Jesus comia com pecadores e publicanos, ele lhes respondeu:
“Ouvindo isso, Jesus disse: ‘Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes’” (Mateus 9.12).
Georges Canguilhem, filósofo e médico francês, analisa a tênue distinção entre o que é normal e o que é patológico em nossa condição humana. A doença faz parte de nossa natureza e nada mais humana do que aprendermos a construir juntos um caminho para a superação de nossas fraquezas.
Quando Jesus, em sua agenda escatológica de Mateus 25, fala da enfermidade, ele não espera pela cura, mas que possamos ser solidários na enfermidade – ele disse: “estive enfermo e vocês cuidaram de mim”, e não: “me curaste”.
Embora ele almeje pela cura de nossas enfermidades, Jesus sabe que as curas e milagres são soluções provisórias para nossa existência. Jesus vê a enfermidade é a morte como expressões de nossas limitações.
Ele mesmo ordenou aos seus discípulos: Curem os enfermos [...]” (Mateus 10.8). Mas, acima de tudo, ele espera que sejamos solidários uns com os outros em nossas deficiências, através da oração, do acolhimento, do abraço e do cuidado.
Todos nós estamos sujeitos à enfermidade, que se manifesta de diversas formas durante nossa vida. O que Jesus está mais interessado em que experimentemos a vida em sua forma mais plena. Afinal, ele é o autor da vida, conforme é apresentado em Atos 3.15. Pois:
Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens” (João 1.4).
O princípio de Jesus para cuidar das nossas carências, enfermidades e pecados é:
“[...] Tudo é possível àquele que crê” (Marcos 9.23).
O fato é que todos estamos sujeitos à enfermidade e que a humanidade inteira está enferma.
Como lidar com um mundo adoecido?
1. DISCERNIR as enfermidades que afetam nosso tempo.
Diante da carência daquela família, os discípulos se sentiram incapazes de apresentar uma solução. Preferiram se envolver em discussões inúteis, em vez de oferecer-lhes acolhida e amor.
“[...] Pedi aos teus discípulos que expulsassem o espírito, mas eles não conseguiram” (Marcos 9.18).
2. DESENVOLVER confiança no cuidado de Deus sobre a humanidade.
Nossa confiança no poder de Deus precisa nos conduzir a deixar nossa zona de conforto e a nos desafiar a superar nossos obstáculos.
Pessoas que confiam mais em si mesmas do que no poder de Deus tendem a desenvolver uma religiosidade formal e sem compromisso.
Respondeu Jesus: ‘Ó geração incrédula, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam-me o menino’” (Marcos 9.19).
3. AGIR com compaixão.
O mundo continua a fazer o mesmo pedido daquele pai: por mais compaixão e misericórdia.
Devemos sempre nos lembrar que o Deus de compaixão nos capacita a compartilharmos sua compaixão com todos os homens.
“[...] Mas, se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos” (Marcos 9.22).
4. CRER mesmo naquelas circunstâncias em que tudo parece impossível.
O pai demonstrou ter uma fé ingênua. A fé ingênua é aquela que tenta colocar Deus à prova. A fé amadurecida, no entanto, é aquela que se deixa ser provada por Deus.
“[...] Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!” (Marcos 9.24).
Conclusão
Após aquele episódio, os discípulos quiseram saber por que eles não conseguiram curar o menino. Jesus demonstrou que a fé que possuíam era pequena.
Talvez pareça absurdo crer que uma montanha possa ser removida somente pela fé. Mas o mais absurdo não é crer que somos capazes de tal façanha pela fé, mas crer que Deus pode agir independente de nossa capacidade a fim de cumprir seus propósitos.
Ele respondeu: ‘Por que a fé que vocês têm é pequena. Eu lhes asseguro que se vocês tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderão dizer a este monte: Vá daqui para lá, e ele irá. Nada lhes será impossível’” (Mateus 17.20).
Dia 11/2/2018:
Estive nu
Marcos 5.1-20 
Quando se aproximaram de Jesus, viram ali o homem que fora possesso da legião de demônios, assentado, vestido e em perfeito juízo; e ficaram com medo” (Marcos 5.15). 
A história do encontro de Jesus com o endemoninhado geraseno demonstra o quanto ele está interessado em cuidar da vida humana de forma INTEGRAL.
Essa história é contada nos três evangelhos sinóticos. Além da narrativa de Marcos, ela está presente também em Mateus 8.28-34 e Lucas 8.26-39.
Enquanto Marcos e Lucas fala de apenas um endemoninhado, Mateus apresenta dois deles. Outra distinção importante é que, enquanto Marcos e Lucas citam a a região dos gerasenos, Mateus fala da região dos gadarenos.
As cidades de Gerasa e Gadara pertenciam à região de Decápolis, um conjunto de 10 cidades romanas fundadas por Plínio no ano 64 a.C. Essa região pertence hoje à Jordânia.
Embora haja uma dificuldade de se situar geograficamente o acontecimento e até de se definir se era o mesmo episódio, o fato é que o encontro de Jesus com aquele homem endemoninhado se deu numa região fora da Galileia dominada pela cultura pagã do império romano, estranha, portanto, aos costumes judaicos.
Uma das evidências dessa diferença cultural era que ali havia uma criação de porcos, que não fazia parte dos hábitos judaicos e era considerado um animal impuro o imundo pela lei de Moisés.
A figura do endemoninhado é tratada no evangelho como o retrato da HUMANIDADE caída, vivendo longe dos propósitos divinos.
Características do endemoninhado geraseno:
a) Possuía um espírito imundo – “Quando Jesus desembarcou, um homem com um espírito imundo veio dos sepulcros ao seu encontro” (Marcos 5.2).
b) Vivia nos sepulcros – “Esse homem vivia nos sepulcros[...]” (Marcos 5.3).
c) Tinha uma força incomum – “[...] ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo com correntes; pois muitas vezes lhe haviam sido acorrentados pés e mãos, mas ele arrebentara as correntes e quebrara os ferros de seus pés. Ninguém era suficientemente forte para dominá-lo” (Marcos 5.3,4).
d) Tinha uma vida atormentada – “Noite e dia ele andava gritando e cortando-se com pedras entre os sepulcros e nas colinas” (Marcos 5.5).
e) Estava nu – “[...] Fazia muito tempo que aquele homem não usava roupas, nem vivia em casa alguma, mas nos sepulcros” (Lucas 8.27).
f) Era violento – “[...] Eles eram tão violentos que ninguém podia passar por aquele caminho” (Mateus 8.28).
A libertação daquele homem aconteceu de uma forma inusitada. Jesus permitiu que os demônios possuíssem uma manada de porcos que havia ali perto e isso fez com que aqueles animais de precipitassem no mar e morressem afogados.
Ele lhes deu permissão, e os espíritos imundos saíram e entraram nos porcos. A manada de cerca de dois mil porcos atirou-se precipício abaixo, em direção ao mar, e nele se afogou” (Marcos 5.13).
Esse acontecimento revela que não era só aquele homem tinha uma vida cheia de problemas. As pessoas do lugar também estavam tomadas por situações de medo e de exploração.
Características da sociedade dos gerasenos:
a) Eles se sentiam inseguros – “Os que cuidavam dos porcos fugiram e contaram esses fatos na cidade e nos campos, e o povo foi ver o que havia acontecido” (Marcos 5.14).
b) Eles não acreditavam no poder de Jesus – “[...] Quando se aproximaram de Jesus, viram que o homem de quem haviam saído os demônios estava assentado aos pés de Jesus, vestido e em perfeito juízo, e ficaram com medo” (Lucas 8.35).
c) Era uma sociedade que valoriza mais as coisas que as pessoas – “Toda a cidade saiu ao encontro de Jesus, e quando o viram, suplicaram-lhe que saísse do território deles” (Mateus 8.34).
A libertação do endemoninhado geraseno é um sinal evidente da obra que Jesus veio realizar: RESTAURAR nossa humanidade.
Sinais do que Jesus pode fazer para restaurar nossa humanidade:
1. Sinal de LIBERTAÇÃO de tudo o que oprime.
Jesus veio nos libertar de toda forma de opressão.
A maior opressão que a humanidade sofre está relacionada à exploração do outro. E isso se dá de muitas formas e modos.
“Então Jesus lhe perguntou: ‘Qual é o seu nome?’ ‘Meu nome é Legião’, respondeu ele, ‘porque somos muitos’” (Marcos 5.9).
2. Sinal de RESTAURAÇÃO dos danos da escravidão.
Pessoas oprimidas que não conseguem ter consciência de sua própria opressão são alienadas e têm a tendência de rejeitar qualquer tentativa de libertação.
Quando se aproximaram de Jesus, viram ali o homem que fora possesso da legião de demônios, assentado, vestido e em perfeito juízo; e ficaram com medo” (Marcos 5.15).
3. Sinal de CONVOCAÇÃO para uma nova vida.
Pessoas libertas pela graça de Jesus são instrumentos poderosos nas mãos de Deus para a libertação daqueles que ainda estão presos ao que lhes oprime.
Jesus não o permitiu, mas disse: ‘Vá para casa, para a sua família e anuncie-lhes quanto o Senhor fez por você e como teve misericórdia de você’” (Marcos 5.19).
4. Sinal de uma VIDA transformada.
Pessoas transformadas sentem o desejo de serem usadas por Deus como testemunho do seu poder libertador.
Então, aquele homem se foi e começou a anunciar em Decápolis quanto Jesus tinha feito por ele. Todos ficavam admirados” (Marcos 5.20).
Conclusão
Jesus reivindica para si toda vida humana a fim de que possamos viver nossa humanidade diante de Deus sem temor algum.
O ladrão vem apenas para furtar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente” (João 10.10).
Dia 4/2/2018:
Fui estrangeiro 
Mateus 15.21-28 
“Jesus respondeu: ‘Mulher, grande é a sua fé! Seja conforme você deseja’. E naquele mesmo instante a sua filha foi curada’” (Mateus 15.28). 
O cuidado de Jesus com a mulher cananeia demonstra o quanto ele está disposto a dar ATENÇÃO a qualquer pessoa que buscar seu socorro.
A narrar o episódio, o evangelista Marcos descreve que Jesus queria ter um tempo de retiro.
Jesus saiu daquele lugar e foi para os arredores de Tiro e de Sidom. Entrou numa casa e não queria que ninguém o soubesse; contudo, não conseguiu manter em segredo a sua presença” (Marcos 7.24).
A mulher cananeia ou siro-fenícia, era descendente do povo que, na história de Israel, causou muito sofrimento aos judeus.
Os evangelistas assim a descrevem:
“Uma mulher cananeia [...] A mulher era grega, siro-fenícia de origem” (Mateus 15.22; Marcos 7.26).
Jesus tinha muitas razões para não querer dar ouvidos ou acolhimento àquela mulher. Jesus era judeu e estava diante de alguém que representava um histórico de ódio, preconceito e segregação.
Jesus usou quatro metáforas no diálogo com a mulher:
a) O pão – representava o próprio Jesus, o pão da vida.
b) O banquete – sua obra redentora.
c) Os restos – os impactos da obra redentora em toda a criação.
d) os cachorrinhos – representava os povos que até então eram tratados como excluídos da graça pelos judeus.
Jesus trata ao diferente e ao estrangeiro de um modo especial, a partir da possibilidade de INCLUSÃO.
A maneira como tratamos o outro e o diferente reflete como compreendemos nós mesmos.
Somos pessoas amadas por Deus, mesmo imperfeitas. Ele nos quer como somos para nos TRANSFORMAR naquilo que ele gostaria que fôssemos.
O outro e o diferente não são categorias morais de melhor ou pior, mas expressões de nossa condição humana.
A crise migratória atual, o preconceito racial, a discriminação do outro por questões religiosas, ideológicas, sexuais e políticas, assim como a intolerância, são resultados das dificuldades de lidarmos com nossas próprias fragilidades humanas.
Através do cuidado com a mulher cananeia, Jesus deixou a lição de que não há como cumprir o propósito de Deus deixando o outro de fora. A graça do Senhor é para TODOS.
Como lidar com o diferente:
1. ABRINDO espaço em nossa agenda.
Jesus sempre tem espaço em sua agenda para tratar o outro.
Mas Jesus não lhe respondeu palavra. Então seus discípulos se aproximaram dele e pediram: ‘Manda-a embora, pois vem gritando atrás de nós’” (Mateus 15.23).
2. VENDO o outro como um filho amado do Pai.
Jesus está interessado em que possamos ter uma experiência de maior proximidade.
Ele nos vê como filhos amados de Deus.
Ele lhe disse: ‘Deixe que primeiro os filhos comam até se fartar; pois não é correto tirar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos’” (Marcos 7.27).
3. PARTILHANDO a graça com todos.
As bênçãos que resultam da graça de Jesus devem ser partilhadas por todos.
Ela respondeu: ‘Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças’” (Marcos 7.28).
4. ORIENTANDO nossas escolhas pela fé.
Uma fé que não é partilhada não é digna de ser levada em consideração.
Jesus respondeu: ‘Mulher, grande é a sua fé! Seja conforme você deseja". E naquele mesmo instante a sua filha foi curada’” (Mateus 15.28).
Conclusão
Deus nos chama para partilharmos seu amor com aqueles que não são dignos dele.
Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos” (Mateus 5.44,45).
Dia 21/1/2018:
Tive sede
João 7.37-38 
“[...] Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (João 7.37,38). 
Quando Jesus participou da Festa dos Tabernáculos pela última vez, ele aproveitou para ressaltar sua obra SALVADORA.
A Festa dos Tabernáculos é um ritual hebraico, mantido pela tradição judaica, que foi estabelecido na Torah como um cerimonial para simbolizar a alegria da salvação que Deus nos concede.
Durante sete dias, o povo armava suas tendas para relembrar o tempo da peregrinação no deserto, no Êxodo, e celebrava com cânticos e ações de graças. Todos os dias, ao som de trombetas, o povo saia para assistir ao cortejo dos sacerdotes, que iam até o tanque de Siloé com vasos de prata e as traziam cheias para as derramarem sobre o altar dos sacrifícios.
O povo acompanha esse cortejo cantando os salmos 113 ao 118. No último dia, porém, os sacerdotes voltavam do tanque com seus vasos vazios, mas rodeavam o altar recitando especialmente o clamor:
Salva-nos, Senhor! Nós imploramos. Faze-nos prosperar, Senhor! Nós suplicamos” (Salmos 118.25).
Jesus observava esse ritual quando fez o convite para que todos pudessem vir a ele como o salvador.
Atender ao convite “vinde a mim” é o primeiro PASSO para experimentar a vida que Jesus veio nos proporcionar:
Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mateus 11.28).
A água é usada muitas vezes nas Escrituras como metáfora para a ação do Espírito Santo, que se realiza em todos os espaços em que se manifesta.
A ação do Espírito desperta a experiência de Deus em que o homem experimenta Deus em uma relação consigo mesmo diante Deus.
O Espírito Santo é o que nos humaniza e nos impele a uma espiritualidade que se realiza naqueles espaços em que a vida é impedida.
O Espírito Santo, portanto, é FONTE de vida, que traz vida ao mundo.
Pois derramarei água na terra sedenta, e torrentes na terra seca; derramarei meu Espírito sobre sua prole, e minha bênção sobre seus descendentes” (Isaías 44.3).
A sede representa a necessidade de uma experiência de Deus que emerge de uma ação do Espírito Santo.
Como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando poderei entrar para apresentar-me a Deus?” (Salmos 42.1,2).
Para um mundo que busca uma espiritualidade sem Deus, a RELIGIÃO procura oferecer uma espiritualidade sem o Espírito.
A sede de Deus não pode ser suprida por nada que há no mundo, mas por uma experiência de ENCONTRO que se dá sentido à vida.
“[...] porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu” (Romanos 5.5).
Jesus também usou a metáfora da água ao falar para a mulher samaritana sobre sua graça salvadora:
“Jesus respondeu: ‘Quem beber desta água terá sede outra vez, mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna’” (João 4.13,14).
Como podemos nos tornar sinais de vida no mundo:
1. CUMPRIR a missão de Deus no mundo.
A missão é Deus, nós somos seus cooperadores.
Pois nós somos cooperadores de Deus [...]” (1 Coríntios 3.9).
2. ANUNCIAR a boa notícia de Jesus.
O evangelho é o anúncio da dádiva do amor, da libertação e da transformação.
E disse-lhes: ‘Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho [boas notícias] a todas as pessoas” (Marcos 16.15).
3. SERVIR como testemunha.
Experimentar em si mesmo a morte do velho homem e o nascimento para a nova vida em Jesus.
Em resposta, Jesus declarou: ‘Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo [...] Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito’” (João 3.3-5).
4. VIVER em comunhão.
A espiritualidade que desperte a relação com Deus nos impulsiona a viver em comunidade.
A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês” (2 Coríntios 13.14).
Conclusão
Aquele que experimenta a nova vida transformada pela graça serve como uma presença difusora da graça de Deus no mundo.
O convite amoroso do Senhor é que possamos experimentar de sua graça a fim de desfrutarmos da vida que ele tem para nos dar.
Venham, todos vocês que estão com sede, venham às águas; [...] Deem ouvidos e venham a mim; ouçam-me, para que sua alma viva. [...] Busquem o Senhor enquanto se pode achá-lo; clamem por ele enquanto está perto” (Isaías 55.1-6).
Dia 14/1/2018:
Tive fome
Lucas 9.12-17 
Ele, porém, respondeu: ‘Deem-lhes vocês algo para comer’ [...]” (Lucas 9.13). 
O relato da multiplicação dos pães e dos peixes é uma metáfora de como Jesus lida as CARÊNCIAS básicas da humanidade. A fome é uma delas.
O milagre lembra a maneira como Moisés também lidou com a fome no deserto, durante o êxodo: conseguindo alimento dos céus.
Depois de um dia cansativo e estressante, Jesus havia se retirado para o outro lado do lago para estar com seus discípulos. Eles haviam sido enviados em duplas para evangelizarem nas circunvizinhanças e, ao voltarem, apresentaram seu relatório.
Assim, eles saíram e foram pelos povoados, pregando o evangelho e fazendo curas por toda parte. [...] Ao voltarem, os apóstolos relataram a Jesus o que tinham feito. Então ele os tomou consigo, e retiraram-se para uma cidade chamada Betsaida; mas as multidões ficaram sabendo, e o seguiram. Ele as acolheu, e falava-lhes acerca do Reino de Deus, e curava os que precisavam de cura” (Lucas 9.6-11).
Além disso, os discípulos de João Batista trouxeram a notícia de sua morte por Herodes.
Jesus se deparou com duas situações conflitantes:
a) A situação política opressora que colocava em risco a vida daqueles que faziam oposição.
b) A escassez de alimento não só por estarem numa região deserta, mas por causa da condição socioeconômica da maioria daquela multidão que o seguia, formada na maioria por pessoas em situação de pobreza e miséria.
O episódio foi interpretado pelos judeus como um sinal da emancipação política daquela nação.
Depois de ver o sinal miraculoso que Jesus tinha realizado, o povo começou a dizer: ‘Sem dúvida este é o Profeta que devia vir ao mundo’” (João 6.14).
A atitude de Jesus diante daquela multidão que o seguia serve como uma motivação para a nossa ação no mundo: em vez de se sentir irritado com aquela multidão, Jesus se sente impelido a servir.
Jesus assumiu a missão de oferecer uma RESPOSTA concreta às carências que a humanidade enfrenta.
Jesus se deparou com dois problemas: a escassez de alimento e a fome da multidão. Para os discípulos, a solução mais fácil para aquele problema estava no aspecto econômico. Mas Jesus vê possibilidades milagrosas nas ações solidárias.
A fome afeta diretamente a forma como o nosso organismo desenvolve as atividades relativas à vida.
Segundo a ONU, em seu relatório anual de 2017, cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo passam fome, levando-se em consideração uma alimentação com menos de 1800 calorias.
Para a ONU, a fome envolve não só a escassez de alimento, mas também a subalimentação que é o acesso ao alimento em quantidade insuficiente e com poucos nutrientes indispensáveis à vida, como vitaminas, proteínas e sais minerais.
Depois de experimentar um declínio no mundo por décadas, a fome voltou a afetar mais pessoas em 2016, chegando a afetar 11% da população mundial. A principal causa desse crescimento foram os conflitos mundiais e as mudanças climáticas.
Isso afeta muito mais as crianças: 155 milhões de crianças sofrem com atraso no crescimento; 55 milhões estão abaixo do peso ideal; 41 milhões têm obesidade.
Segundo a FAO, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, o Brasil havia deixado o mapa da fome mundial em 2014, mas entre 2015 e 2016 o número de pessoas em estado de subalimentação voltou a aumentar por causa da forte recessão econômica, aumento do preço dos alimentos e da diminuição da renda das pessoas mais pobres. A fome no Brasil atinge cerca de 3,6% da população brasileira, segundo o IBGE em 2016, o que equivale a mais de 7 milhões de pessoas.
Um dos 17 objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável é de a acabar com a pobreza e a fome, em todas as suas formas e dimensões, e garantir que todos os seres humanos possam realizar o seu potencial em dignidade e igualdade, em um ambiente saudável.
Esse é o objetivo 2 da Agenda 2030: “Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável”. Isso significa garantir a todas as pessoas, especialmente as mais vulneráveis e as crianças, acesso a alimentos seguros, nutritivos e suficientes durante todo o ano.
O evangelho de Jesus nos ensina que somos parte da SOLUÇÃO dos problemas que afetam a humanidade como agentes da graça.
Propostas de ação:
1. Somos CHAMADOS a dar atenção às pessoas em suas necessidades mais imediatas.
Fazer missão implica se ocupar com as necessidades básicas das pessoas mais vulneráveis.
Ele, porém, respondeu: ‘Deem-lhes vocês algo para comer’ [...]” (Lucas 9.13).
2. Somos DESAFIADOS a acolher as pessoas com nossos próprios recursos.
Jesus não despreza nossa capacidade, por mais insignificante que elas pareçam.
“[...] Eles disseram: ‘Temos apenas cinco pães e dois peixes — a menos que compremos alimento para toda esta multidão’” (Lucas 9.13).
3. Somos ENCORAJADOS a nos envolvermos na solução dos problemas humanos.
Para que os doze discípulos servissem a uma quantidade estimada entre 5 e 12 mil pessoas (se incluirmos mulheres e crianças), eles tiveram que se misturar no meio do povo.
Servir envolve participar de todas as formas e em todo o processo. Isso inclui organizar:
(E estavam ali cerca de cinco mil homens). Mas ele disse aos seus discípulos: ‘Façam-nos sentar-se em grupos de cinquenta’. Os discípulos assim fizeram, e todos se assentaram” (Lucas 9.14,15).
Agir:
“[...] Em seguida, entregou-os aos discípulos para que os servissem ao povo” (Lucas 12.16).
E acompanhar os resultados:
Todos comeram e ficaram satisfeitos, e os discípulos recolheram doze cestos cheios de pedaços que sobraram” (Lucas 9.17).
4. Somos CONVIDADOS a celebrar o milagre da solidariedade.
Jesus não suplicou pelo milagre, mas agradeceu pelo que tinha. Deus está sempre pronto a abençoar nossas atitudes de repartir o que temos. Ele está sempre disposto a fazer uma festa com o pouco que temos.
Tomando os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu, deu graças e os partiu [...]” (Lucas 9.16).
Conclusão
Na multiplicação dos pães e peixes, Jesus valoriza mais a partilha do que a abundância.
A partir de Jesus, podemos construir uma nova mentalidade a respeito de como podemos viver de um modo mais digno em meio ao enfrentamento de nossas carências.
Então Jesus declarou: ‘Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a mim nunca terá fome; aquele que crê em mim nunca terá sede” (João 6.35).
Dia 7/1/2018
Viver dignamente
Mateus 25.31-46 
“[...] o que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo” (Mateus 25.45). 
Jesus encerrou o seu sermão escatológico contando uma parábola que estabelece a realidade do fim com a vida atual, da VIDA FUTURA com o presente.
As ovelhas e os bodes são metáforas das maneiras como orientamos nossa ação como cristãos no mundo. Podemos agir como ovelhas ou como bodes.
A cena retratada na parábola lembra a ação cotidiana dos pastores ao recolher seu rebanho ao fim do dia, separando ovelhas e bodes.
As ovelhas eram animais inseridos na cultura hebraica: forneciam uma variedade de produtos para a subsistência (como leite, carne, lã e couro); serviam como base de troca em transações comerciais; constituíam a base do patrimônio de uma pessoa e poderia até ser usada para pagamento de tributos. Também estava inserida na religiosidade, como animal usado nos rituais de sacrifício. A ovelha representa o povo de um modo geral, quer seja o “pequeno rebanho” que era Israel, quer sejam as “outras ovelhas” como referência aos povos a serem alcançados. As ovelhas gordas poderiam representar pessoas infiéis que exploram o que há de melhor dos outros; ovelhas magras e doentes eram o povo oprimido e explorado.
Os bodes ou cabritos também estavam inseridos na cultura hebraica como fornecedores de alimento e vestimenta. Também faziam parte da religiosidade hebraica nos atos sacrificiais. Porém, seu uso se destinava especificamente à expiação de pecados. Uma vez ao ano, havia o Dia da Expiação ou Dia do Perdão, em que o sacerdote entrava no Santo dos Santos e prestava um ritual pela remissão do pecado do povo. Esse dia ainda é observado pelos judeus, mas sem o sacrifício. É o dia do Yom Kippur Na preparação para esse ritual, ele escolhia dois bodes e lançaria sorte sobre eles: um seria usado para o sacrifício, seu sangue seria levado para o interior do Santo dos Santos e aspergido no propiciatório que cobria a arca; o outro ficaria vivo, o sacerdote iria confessar o pecado do povo sobre ele e o soltaria errante pelo deserto (veja Levítico 16.21-22).
Na parábola de Jesus, as ovelhas representam as atitudes de quem se importa com as dores e fragilidades do mundo, com aqueles mais vulneráveis. Os bodes, por sua vez, representam aqueles que estão mais preocupadas com a avida futura e, por isso, agem de modo indiferente às necessidades das pessoas, principalmente aquelas que se encontram nas camadas inferiores da sociedade.
Quem são os bodes e as ovelhas de Cristo? Somos nós mesmos, que fazemos nossas ESCOLHAS em relação ao outro.
De um modo geral, podemos tratar o outro a partir de duas compreensões: ou porque compreendemos que todos carecem de uma vida com mais dignidade, ou como um modo de nos livrarmos de um juízo condenatório futuro. No primeiro caso, partimos de uma perspectiva integral e integradora; no segundo, agimos em busca de uma recompensa.
O critério de avaliação do Reino de Deus é o modo como lidamos com as dores do mundo e como elas afetam os mais vulneráveis.
Jesus vê o mundo a partir de suas carências. A obra salvadora não se destina somente à construção de uma vida ideal num céu distante, mas nas formas como ajudamos uns aos outros a SUPERAR as dores do mundo.
Quais são as dores do mundo que realmente importam para Jesus?
a) Fome.
b) Escassez de água.
c) Crise dos refugiados.
d) Exploração do trabalho.
e) Endemias.
f) Injustiça.
g) Pobreza.
Como podemos agir em relação aos mais vulneráveis? Como ovelhas, podemos voltar nossas ações para o socorro, acolhimento e atenção aos mais necessitados independe das condições morais ou religiosas. Como bodes, podemos ficar indiferentes à necessidade concreta das pessoas e nos concentrarmos apenas nos aspectos morais e religiosos delas.
O critério de avaliação de nossa conduta é o quanto nos IMPORTAMOS aqui e agora com os oprimidos, explorados e excluídos do mundo.
Viver dignamente implica em buscarmos condições melhores de vida com OPORTUNIDADES iguais para todos. Isso não é comunismo. É cristianismo.
A parábola aponta três aspectos de nossa conduta em relação aos mais vulneráveis e suas dores:
1. Os problemas que afetam os mais vulneráveis são GLOBAIS.
Jesus levantou problemas que a humanidade enfrenta em todo o mundo. A profecia de que o Filho do Homem, quando vier em glória, vai reunir todas as nações diante de seu trono indica que a as vulnerabilidades humanas também tem sido globalizada.
Todas as nações serão reunidas diante dele [...]” (Mateus 25.32).
2. Olhar para Jesus implica um olhar para o OUTRO.
Jesus nos chama para a experiência de uma fé encarnada. Ele se mostra a nós no rosto daqueles que estão entre os mais pequenos, nas camadas inferiores, nas vítimas da desigualdade social.
Quando vemos Jesus sofrendo as dores do mundo? No rosto dos mais pequenos. Então, quando servimos de fato a Jesus? Quando atendemos aos mais pequenos.
Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber, [...] como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos, [...] enfermo ou preso e fomos te visitar?” (Mateus 25.37-39).
3. O projeto criador envolve a REDENÇÃO integral do ser humano.
O projeto de Deus é restaurar em nós a nossa humanidade. O plano de Deus desde a criação é fazer com que possamos viver a nossa humanidade diante dele sem a vergonha da culpa.
Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo” (Mateus 25.34).
Conclusão
Qual a razão pela qual devemos nos preocupar com os mais vulneráveis e as dores do mundo? Se não for para que todos tenhamos uma vida mais digna, que seja pelo menos pelo fato de que um dia todos teremos que prestar contas de nossas ações.
Pois todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más” (2 Coríntios 5.10).

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