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Esboços das mensagens da série "Crer de outro modo".
Em 21/4/2019:
A Festa da Páscoa (Pessach)
E disse-lhes: ‘Desejei ansiosamente comer esta Páscoa com vocês antes de sofrer. Pois eu lhes digo: Não comerei dela novamente até que se cumpra no Reino de Deus’” (Lucas 22.15,16). 
A Bíblia nos ensina que a vida é feita de TRANSIÇÕES, e a maior delas foi operada por Jesus, que a nossa redenção.
Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados” (Mateus 26.28).
A Páscoa foi a ocasião em que se deu o sacrifício de Jesus na cruz.
A Páscoa é uma festa judaica que foi incorporada ao calendário cristão por causa dos eventos ligados à morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Ela foi instituída primeiramente durante o êxodo dos hebreus. Em Êxodo 12.1-14 encontra-se o registro da primeira Páscoa como uma preparação para a caminhada até a terra prometida.
A palavra provém do hebraico Pessach, que quer dizer “passagem”, e se refere à passagem do anjo que livrou os primogênitos hebreus da aplicação da décima praga.
O povo deveria estar preparado para atender ao chamado para seguir o caminho.
Ao comerem, estejam prontos para sair: cinto no lugar, sandálias nos pés e cajado na mão. Comam apressadamente. Esta é a Páscoa do Senhor” (Êxodo 12.11).
O objetivo primeiro da festa da Páscoa era para que Israel jamais se esquecesse de quem eles eram e o que Deus fez para livrá-los da ESCRAVIDÃO do Egito.
Este dia será um memorial que vocês e todos os seus descendentes o comemorarão como festa ao Senhor. Comemorem-no como decreto perpétuo” (Êxodo 12.14).
A Páscoa foi também regulamentada como a primeira festa anual do calendário hebreu (Levítico 23.5-8).
A Páscoa do Antigo Testamento possuía três símbolos essenciais:
a) O sacrifício de um CORDEIRO – para lembrar o livramento da escravidão.
b) O uso de ERVAS amargas – para lembrar os tempos difíceis na travessia do deserto.
c) O uso de PÃES ázimos – que era o pão sem fermento, para lembrar que o povo deveria se apressar para partir.
Os judeus costumavam fazer um banquete para marcar essa festa e lembrar o livramento de Israel de seu cativeiro.
Jesus deu um novo sentido ao banquete da Páscoa ao relacionar os símbolos dessa festa judaica com o sua obra redentora.
A família de Jesus tinha o costume de celebrar a Páscoa (Lucas 2.42).
Jesus pediu para que seus discípulos preparassem a Páscoa como exercício de memória.
No primeiro dia da festa dos pães sem fermento, os discípulos dirigiram-se a Jesus e lhe perguntaram: ‘Onde queres que preparemos a refeição da Páscoa?’” (Mateus 26.17).
Os cristãos do primeiro século, porém, não celebravam a Páscoa como uma festa anual. Esse costume só aparecerá por volta da metade do século segundo em diante.
A Páscoa tanto é uma festa de LEMBRANÇA de quem nós somos como também é a celebração do que Deus fez por nós.
“[...] façam isto em memória de mim” (Lucas 22.19).
A Páscoa cristã deve ser celebrada com um olhar para o passado, reconhecendo a obra redentora de Jesus de Nazaré, e com um olhar para o futuro, como esperança em sua promessa.
Pois eu lhes digo: Não comerei dela novamente até que se cumpra no Reino de Deus” (Lucas 22.16).
E:
Pois eu lhes digo que não beberei outra vez do fruto da videira até que venha o Reino de Deus” (Lucas 22.18).
O que a Páscoa nos lembra:
1. A figura do ENCARNADO.
Jesus se tornou um de nós para que pudéssemos tomar a sua forma no mundo.
Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” (Colossenses 1.15).
2. A figura do CRUCIFICADO.
Jesus assumiu o risco de viver uma vida autêntica, e isso o levou à cruz.
“[...] Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado” (1 Coríntios 5.7).
Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver que lhes foi transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito, conhecido antes da criação do mundo, revelado nestes últimos tempos em favor de vocês” (1 Pedro 1.18-20).
3. A figura do RESSUSCITADO.
A fé na ressurreição é a essência da fé cristã. Quem não crê na ressurreição ou não é cristão ou não tem fé.
Amedrontadas, as mulheres baixaram o rosto para o chão, e os homens lhes disseram: "Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui! Ressuscitou! [...]” (Lucas 24.5,6).
Conclusão
A Páscoa é a lembrança de que Deus cuida da humanidade com amor, cuja realização máxima foi a pessoa de Jesus.
Não há dúvida de que é grande o mistério da piedade: Deus foi manifestado em corpo, justificado no Espírito, visto pelos anjos, pregado entre as nações, crido no mundo, recebido na glória” (1 Timóteo 3.16).
Em 14/4/2019:
O Dia de Pentecostes
Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir” (João 16.13). 
Jesus Cristo ressaltou que a vida de fé possui uma relação direta com a PRESENÇA e AÇÃO do Espírito Santo.
Mas o Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse” (João 14.26).
A festa de Pentecostes acontecia no 50° dia após a Páscoa. Correspondia, portanto, à Festa das Semanas ou das Colheitas, mas que recebeu esse nome após o início do domínio grego sobre os judeus, a partir do ano 331 a.C. A palavra grega pentekoste significa literalmente “quinquagésimo”. Essa é a forma que vamos encontrar no Novo Testamento.
Tratava-se de uma data carregada de significados, pois lembrava a importância da fraternidade, da generosidade e da gratidão.
Pessoas tementes a Deus são marcadas por sua capacidade de PARTILHAR seus bens, dons e talentos de forma fraterna, generosa e graciosa.
De todas as festas bíblicas, somente o Dia de Pentecostes e a Páscoa permaneceram no calendário cristão.
O Dia de Pentecostes é considerado por mitos teólogos como o marco inicial da ação missional da igreja cristã.
O cristianismo ofereceu ao Dia de Pentecoste um novo significado, pois foi nessa data que se deu o a experiência dos primeiros cristãos com a realidade da vida no Espírito pela primeira vez.
Jesus já havia orientado seus discípulos para que aguardassem essa manifestação visível do Espírito Santo. Ela aconteceu exatamente na comemoração do Dia de Pentecoste que se seguiu à Pascoa da crucificação de Jesus.
Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra” (Atos 1.8).
A experiência do Pentecostes do Novo Testamento lembra os seguintes aspectos a respeito do Espírito Santo:
a) Ele é uma DÁDIVA a todos os crentes – “E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu” (Romanos 5.5).
b) Ele é um GUIA – “porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Romanos 8.14).
c) Ele TESTEMUNHA que somos filhos de Deus – “O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus” (Romanos 8.16).
d) Ele CAPACITA aos crentes com dons especiais – “Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um, conforme quer” (1 Coríntios 12.11).
e) Ele nos TRANSFORMA em morada divina – “Nele vocês também estão sendo juntamente edificados, para se tornarem morada de Deus por seu Espírito” (Efésios 2.22).
Quando Jesus falou a respeito do Espírito Santo com seus discípulos, ele o apresentou com o nome de parákletos, que tem o sentido de um consolador, encorajador, intercessor ou mesmo como um defensor. A palavra é formada por dois radicais gregos: para (ao lado) e kletos (chamado). Ele é, portanto, aquele que é chamado para andar lado a lado conosco.
O Espírito Santo é aquele nos dá ânimo e coragem para colocar a vida inteira a serviço do Reino, como também é o que nos conforta em meio às nossas lutas.
Conforme a narrativa de Atos 2.1-13, Jerusalém estava cheia de peregrinos para a festa do Dia de Pentecoste. Nesse dia, os discípulos estavam reunidos em uma pequena sala (cenáculo) em oração, para encorajarem-se uns aos outros.
A ação do Espírito Santo é o cumprimento da PROMESSA divina de nos transformar em seus instrumentos.
E, depois disso, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões. Até sobre os servos e as servas derramarei do meu Espírito naqueles dias” (Joel 2.28,29).
Quais são as marcas do Espírito Santo na vida do crente?
1. FORTALECE a comunhão.
O Espírito Santo nos capacita a conviver com o diferente, a acolher o estranho e a amar o próximo.
A presença do Espírito em nós proporciona amor, paz e alegria no convívio uns com os outros.
A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês” (2 Coríntios 13.14).
2. VOCACIONA para missão.
O Espírito Santo nos capacita a cumprir a missão de Deus no mundo.
A presença do Espírito entre nós orienta a nossa ação no mundo a fim de que a amor de Deus se concretize na vida de todos.
Depois de orarem, tremeu o lugar em que estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus” (Atos 4.31).
3. ESCLARECE a compreensão das Escrituras.
O Espírito Santo nos capacita a perceber e compreender os modos de Deus falar.
A presença do Espírito entre nós nos ajuda a discernir melhor a respeito da vontade de Deus e seus propósitos.
Nós, porém, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito procedente de Deus, para que entendamos as coisas que Deus nos tem dado gratuitamente” (1 Coríntios 2.12).
Conclusão
O Espírito Santo que atua em nós é o mesmo que atuou em Jesus de Nazaré e o conduziu a realizar a obra redentora.
Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14.17).
Em 7/4/2019:
A Festa das Primícias (Shavuot)
Depois disso o Senhor designou outros setenta e dois e os enviou dois a dois, adiante dele, a todas as cidades e lugares para onde ele estava prestes a ir. E lhes disse: ‘A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Portanto, peçam ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita’” (Lucas 10.1,2). 
Quando Jesus pediu que intercedêssemos por mais trabalhadores para a colheita é porque ele sabia que a HUMANIDADE carece de pessoas que saibam colocar sua vida a disposição do que Deus quer fazer para abençoar a humanidade.
Vocês não dizem: ‘Daqui a quatro meses haverá a colheita’? Eu lhes digo: Abram os olhos e vejam os campos! Eles estão maduros para a colheita” (João 4.35).
A festa das primícias servia para lembrar que o fruto do nosso trabalho não é só resultado de nosso ESFORÇO para o proveito individual, mas é uma bênção divina para o benefício de todos.
A palavra primícia se refere às primeiras coisas, às primeiras emoções, às primeiras conquistas ou até mesmo aos primeiros frutos obtidos em um trabalho. Ela foi instituída em Levítico 23.9-14.
A festa das primícias também era conhecida como a festa da semana ou festa da colheita, pois levava em conta dois critérios:
a) Acontecia sete semanas após a páscoa.
b) Marcava o fim do período da colheita de cereais.
Era uma festa própria de agricultores, que se reuniam nessa época do ano para agradecer a Deus pela produção e entregar no templo os primeiros frutos colhidos no período da colheita. Esses frutos deveriam ficar guardados até o final de toda colheita, que durava seis semanas.
Era um período alegre em que os agricultores expressavam sua satisfação pelo trabalho abençoado.
No ato da colheita, o primeiro resultado deveria atender a três partes: as primícias a serem consagradas no templo, a parte que atenderia a necessidade dos mais pobres e a parte que seria destinada ao estrangeiro.
Quando fizerem a colheita da sua terra, não colham até às extremidades da sua lavoura, nem ajuntem as espigas caídas da sua colheita. Deixem-nas para o necessitado e para o estrangeiro. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês” (Levítico 23.22).
Em Deuteronômio 26.1-11, os hebreus foram orientados a celebrarem a festa das primícias quando entrassem na terra prometida. Eles deveriam trazer os primeiros frutos colhidos na nova terra e consagrarem ao Senhor num ato de reconhecimento a respeito de quem eles eram e no que agora estavam se tornando.
Deus nos liberta de toda opressão para vivermos uma vida de SERVIÇO.
A Bíblia nos convida a reconhecer o valor do trabalho e o sentido da comunhão.
Jesus abençoou a dez leprosos igualmente com a cura, mas apenas um retornou para agradecer pelo que conquistou, e o que voltou era samaritano (Lucas 17.12-19).
Jesus indaga a respeito da nossa maneira de compreender o CUIDADO divino com a humanidade.
Não se achou nenhum que voltasse e desse louvor a Deus, a não ser este estrangeiro?” (Lucas 17.18).
Os maiores EXEMPLOS de pessoas envolvidas com o serviço aos mais vulneráveis e para sanar as dores do mundo, na atualidade, estão entre os não religiosos.
Sinais da festa das primícias em nosso cotidiano:
1. Exercitar a GRATIDÃO.
Agradecer é saber que a nossa vida não é construída a partir de nossos méritos, mas de oportunidades que nos são apresentadas constantemente.
Pessoas agradecidas compreendem o que é viver em comunhão.
Bendiga ao Senhor a minha alma! Não esqueça de nenhuma de suas bênçãos!” (Salmos 103.2).
2. Desenvolver o RECONHECIMENTO.
Jamais conseguiremos retribuir todas as bênçãos que temos recebido, mas reconhecer que elas vêm de Deus já é um grande passo.
Reconhecer é celebrar ao Deus que age.
Como posso retribuir ao Senhor toda a sua bondade para comigo?” (Salmos 116.12).
3. Colocar em prática a CONSAGRAÇÃO.
A consagração lembra que o sagrado se faz em meio à comunhão. Trabalhar pelo bem comum e fazer de nossas ações um instrumento de transformação é parte essencial de uma grande revolução.
Pessoas consagradas fazem do seu trabalho um serviço que abençoa a outros.
Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo” (Colossenses 3.23,24).
Conclusão
Deus está a procura de pessoas que saibam ser gratas, sensíveis ao cuidado dele e prontas a servir.
Portanto, meus amados irmãos, mantenham-se firmes, e que nada os abale. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil” (1 Coríntios 15.58).
Em 31/3/2019:
A Festa das Trombetas (Teruah)
E ele enviará os seus anjos com grande som de trombeta, e estes reunirão os seus eleitos dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus” (Mateus 24.31). 
A Festa das Trombetas era o anúncio de um novo TEMPO para a humanidade.
O nome Teruah se refere a um tipo de toque emitido pela trombeta. A Festa durava um dia de sábado. Os judeus também a chamavam de Rosh Hashanah, que quer dizer “cabeça do ano”.
De acordo com Levítico 23.23-25, a Festa das Trombetas deveria ser celebrada no sétimo mês, equivalente ao começo do outono para o hemisfério norte. O Talmud, livro religioso do judaísmo, fixou o dia dessa festa como o início do Ano Novo Judaico.
A Festa das Trombetas era o momento para que as pessoas pudessem fazer uma AVALIAÇÃO sobre promessas, sonhos e desejos não realizados durante o ano anterior e a oportunidade de renová-los perante Deus.
A festa também servia para celebrar a criação, como uma lembrança de que devemos abrir mão de nosso ORGULHO e nos lembrarmos de que fomos criados por Deus.
“Não fique orgulhoso de si mesmo; até um inseto foi criado antes de você!”, provérbio do Midrash.
A trombeta é um instrumento musical com muitas utilidades na tradição hebraica. Embora a tradição judaica use o shofar, uma corneta rústica feita com chifre de carneiro, em Números 10.2-10 há uma recomendação para que Moisés confeccionasse duas cornetas de prata que serviriam para utilidades específicas.
De um modo geral, o toque da trombeta serviria como:
a) Um chamado do povo à COMUNHÃO – “Quando as duas cornetas tocarem, a comunidade inteira se reunirá diante de você, à entrada da Tenda do Encontro” (Números 10.3).
b) Um sinal de ALERTA – “Quando a corneta der um toque de alerta, as tribos acampadas a leste deverão partir. [...] O toque de alerta será o sinal para partir” (Números 10.5,6).
c) Um símbolo da ADORAÇÃO – “Os filhos de Arão, os sacerdotes, tocarão as cornetas. Este é um decreto perpétuo para vocês e para as suas gerações” (Números 10.8).
d) Um clamor diante da OPRESSÃO – “Quando em sua terra vocês entrarem em guerra contra um adversário que os esteja oprimindo, toquem as cornetas; e o Senhor, o Deus de vocês se lembrará de vocês e os libertará dos seus inimigos” (Números 10.9).
d) Um sinal de ALEGRIA – “Também em seus dias festivos, nas festas fixas e no primeiro dia de cada mês, vocês deverão tocar as cornetas por ocasião dos seus holocaustos e das suas ofertas de comunhão, e elas serão um memorial em favor de vocês perante o seu Deus. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês” (Números 10.10).
O toque da trombeta nas Escrituras é simbólico. Ele representa o cuidado de Deus sobre a humanidade. É o anúncio que Deus está presente na história, pronto para socorrer àqueles que o buscam.
Jesus declarou que o anúncio do evangelho é o SINAL de que Deus está agindo na história, trazendo salvação a toda a criação.
E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mateus 24.14).
O que a Festa das Trombetas representa para nós hoje:
1. O SINAL profético do novo tempo.
O toque da trombeta é uma metáfora da proclamação do amor de Deus pela humanidade inteira.
O anúncio do tempo da graça é um convite à fé e à esperança.
Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois disso, os que estivermos vivos seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre” (1 Tessalonicenses 4.16-17).
2. O JUÍZO de Deus sobre a humanidade
O toque da trombeta é uma lembrança de que há um Deus a quem devemos dar conta de tudo.
Não dá para viver como se a vida tivesse um fim em si mesma. Se temos que nos apresentar perante Deus num dado momento, como devemos cuidar de nossa vida agora?
Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados” (1 Coríntios 15.52).
3. A SEGUNDA VINDA de Jesus.
O toque da trombeta tem um sentido escatológico.
O toque da sétima trombeta no Apocalipse corresponde ao anúncio da vitória final de Jesus
Cristo diante dos poderes do mundo.
O sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve altas vozes no céu que diziam: ‘O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre’” (Apocalipse 11.15).
Conclusão
A mensagem do evangelho representa o toque da trombeta para o mundo em que vivemos. Ela é o alerta de Deus para que possamos fazer os ajustes necessários para uma vida mais digna como pessoas diante de Deus.
“[...] prepare-se para encontrar-se com o seu Deus, ó Israel” (Amós 4.12).
Em 17/3/2019:
A Festa dos Tabernáculos (Sukkot)
No último e mais importante dia da festa, Jesus levantou-se e disse em alta voz: ‘Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva’” (João 7.37-38). 
A festa dos tabernáculos servia para lembrar que Deus está ENTRE nós, apesar das circunstâncias à nossa volta.
A festa dos tabernáculos é a maior das três festas principais da tradição judaica. As demais são o Pentecostes e a Páscoa, que eram chamadas de “festas de peregrinação”. Ela tem uma função de trazer a memória do tempo de 40 anos em que o povo de Israel peregrinou no deserto durante o êxodo, do Egito a Canaã. Dura uma semana em que o povo monta cabanas rústica, chamadas sucás, no quintal das casas, onde fazem suas refeições. Era uma festa tão importante que, ainda no tempo do êxodo, recebia o maior número de ofertas e de sacrifícios (Números 29.12-34). Salomão celebrou essa festa como um ato de consagração do templo (1 Reis 8.65), quando ela é designada como “a festa”. Até mesmo Jeroboão, na época da divisão do reino, instituiu uma festa semelhante com medo de uma rebelião do povo (1 Reis 12.32).
A palavra hebraica sukkot significa “tabernáculos”, no plural, que se refere a um abrigo temporário.
A festa aparece pela primeira vez na lei de Moisés (Êxodo 23.14-17 e 34.22-23), mas foi instituída em Levítico 23.33-44 e reafirmada em Deuteronômio 16.13-17, para ser um momento de alegria e de comunhão. Ela não só estava ligada à história de Israel como também ao ciclo de colheita e de chuvas.
No primeiro dia vocês apanharão os melhores frutos das árvores, folhagem de tamareira, galhos frondosos e salgueiros, e se alegrarão perante o Senhor, o Deus de vocês, durante sete dias” (Levítico 23.40).
Uma parte da festa era dedicada ao louvor e às ações de graças pelo tempo da colheita. O uso da água, dos cânticos e dos cortejos sacerdotais era significativo do tempo de abundância e suprimento divino. No último dia, porém, o tom celebrativo era substituído por um clamor, em que o sacerdote conduzia o povo a recitar o Salmo 118:
Salva-nos, Senhor! Nós imploramos. Faze-nos prosperar, Senhor! Nós suplicamos” (Salmos 118.25).
A festa, portanto, consistia em um conjunto de celebrações que visava:
a) DEMONSTRAR gratidão – a marca principal da festa são as ações de graças e a oferta da colheita, de modo que ninguém deveria vir de mãos vazias.
Cada um de vocês trará uma dádiva conforme as bênçãos recebidas do Senhor, do seu Deus” (Deuteronômio 16.17).
b) RELEMBRAR a história da salvação – a festa simboliza o tempo da restauração, em que Deus está em ação operando a libertação de toda a humanidade.
Morem em tendas durante sete dias; todos os israelitas de nascimento morarão em tendas, para que os descendentes de vocês saibam que eu fiz os israelitas morarem em tendas quando os tirei da terra do Egito. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês” (Levítico 23.42,43).
c) LEMBRAR os que estão ainda no exílio – ainda há muitos que vivem longe da comunhão, que estão em uma espécie de diáspora espiritual. Os judeus que viviam foram tinham o dever de peregrinarem até a Terra Santa para participar dessa festa.
Reúnam o povo, homens, mulheres e crianças, e os estrangeiros que morarem nas suas cidades, para que ouçam e aprendam a temer o Senhor, o seu Deus, e sigam fielmente todas as palavras desta lei” (Deuteronômio 31.12).
d) PROMOVER comunhão – o tempo celebrativo era para congregar todas as pessoas como se fossem uma só família, sem distinção.
“Alegrem-se nessa festa com os seus filhos e as suas filhas, os seus servos e as suas servas, os levitas, os estrangeiros, os órfãos e as viúvas que vivem na sua cidade” (Deuteronômio 16.4).
e) ANUNCIAR o tempo da consumação da graça – Deus está preparando um tempo novo, de justiça, paz e alegria. O sentido escatológico era representado pelas libações. O uso da água era a representação do Espírito Santo, que nos consola até a chegada desse tempo.
Então, os sobreviventes de todas as nações que atacaram Jerusalém subirão ano após ano para adorar o rei, o Senhor dos Exércitos, para celebrar a festa das Cabanas” (Zacarias 14.16).
A função principal da festa era de lembrar a todos que temos que COMPARECER diante do Senhor para adorá-lo.
Jesus participou ativamente de uma dessas festas e acompanhou todo o seu desenrolar, até que no último dia interveio com o anúncio de sua presença, chamando as pessoas a se aproximarem dele.
Jesus sabia do que as autoridades tramavam contra ele e como as pessoas estavam divididas a seu respeito. O brado de Jesus pareceu algo sem sentido para a maioria, mas era um sinal de que Deus estava atento à necessidade das pessoas e pronto para socorrê-las.
Jesus se apresenta como o ENVIADO de Deus para trazer salvação a toda pessoa que se perdeu.
E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai” (João 1.14).
O brado de Jesus declara que nele se cumpre a PROMESSA divina no presente e aponta para uma realização futura.
Ter consciência de que a vida é TRANSITÓRIA nos lembra de que são a fé e a esperança que nos encorajam a seguir adiante.
Considero importante, enquanto estiver no tabernáculo deste corpo, despertar a memória de vocês, porque sei que em breve deixarei este tabernáculo, como o nosso Senhor Jesus Cristo já me revelou” (2 Pedro 1.13,14).
O que o brado de Jesus aponta:
1. Uma realidade no PRESENTE.
A salvação que necessitamos não está na religiosidade, mas na pessoa de Jesus.
Jesus é o Deus conosco, o sinal de Deus que ele está entre nós.
“Se alguém tem sede, venha a mim e beba”.
2. Uma promessa no FUTURO.
A salvação que almejamos não é resultado de coisas que precisamos fazer, mas da nova vida que recebemos.
Das pessoas que creem em Jesus, espera-se que fluam rios de vida. Isso é resultado de uma vida de intimidade com o Espírito Santo.
“Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”.
3. Um convite PERMANENTE.
Quem tinha sede agora pode oferecer a água da vida.
Quem tinha uma vida vazia passa a ser um manancial de vida.
Quem andava perdido se torna um sinal de salvação para todo o mundo.
Com alegria vocês tirarão água das fontes da salvação” (Isaías 12.3).
Conclusão
Jesus habitou entre nós, ele se fez como um de nós para que tivéssemos comunhão com ele.
Ele prometeu que fará de cada um de nós sua morada.
A nossa vida é uma oportunidade constante de celebrar a presença de Deus em nós.
“Respondeu Jesus: ‘Se alguém me ama, guardará a minha palavra. Meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele morada’” (João 14.23).
Em 10/3/2019:
O Dia da Expiação (Yom Kippur)
No dia seguinte João viu Jesus aproximando-se e disse: ‘Vejam! É o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!’” (João 1.29). 
O Dia da Expiação é a data mais importante do calendário judaico. É a lembrança de que Deus nos PERDOA de todo pecado.
O sentido da palavra “expiação” tem a ver com “cobrir”, com o sentido de colocar algo sobre nossos erros passados e nos habilitar para desfrutar de um relacionamento com Deus de forma integral.
A palavra ganhou o sentido de perdão e também de resgate, visto que se referia a algo que deveria ser feito para promover reconciliação.
A cerimônia da expiação foi instituída na Lei de Moisés (Levítico 16.29-34) e marcava o calendário religioso como um dia de jejum e de oração intensos. Consistia em um dia de solenidade para salientar a gravidade do pecado.
Segundo a Lei de Moisés, nesse dia o sacerdote deveria tomar dois bodes para o sacrifício. O primeiro, que era o bode sacrificial, deveria ser imolado em um ritual para habilitar o sacerdote a entrar no santuário e espargir o sangue no altar. O segundo, que era o bode expiatório, deveria receber a imposição de mãos do sacerdote e a confissão dos pecados de todo o povo. Em seguida, esse bode seria levado para o deserto e solto como símbolo de que os pecados teriam sido lançados para fora da sociedade.
O ato de sacrifício era visto como a possibilidade de restabelecimento da ordem, para dirimir as causas da VIOLÊNCIA na vida comum.
Jesus se apresentou como um cordeiro imaculado para nos conduzir a uma experiência genuína de encontro Deus.
Quando João Batista encontrou-se com Jesus pela primeira vez, o reconheceu como o Cordeiro de Deus, numa referência ao ato religioso desse dia.
Em Hebreus 9 e 10, encontramos um paralelo entre o sacrifício do Dia da Expiação e a obra de Jesus.
Como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, podemos afirmar que:
a) Jesus é a realização do SÍMBOLO do sacrifício ritual do Antigo Testamento.
Isso é uma ilustração para os nossos dias, indicando que as ofertas e os sacrifícios oferecidos não podiam dar ao adorador uma consciência perfeitamente limpa” (Hebreus 9.9).
b) Jesus promoveu um PERDÃO eterno.
Não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, e obteve eterna redenção” (Hebreus 9.12).
c) Jesus proporcionou nova ALIANÇA.
Por essa razão, Cristo é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que ele morreu como resgate pelas transgressões cometidas sob a primeira aliança” (Hebreus 9.15).
A obra sacerdotal e sacrificial de Jesus nos redime de uma religiosidade que se funda na violência e nos chama a uma nova CONSCIÊNCIA perante Deus.
Tendo antes de tudo ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados” (1 Pedro 4.8).
O que o Dia da Expiação nos ensina?
1. Um chamado ao ARREPENDIMENTO.
Somos chamados a um exercício de consciência a fim de confrontarmos nosso desejo de uma vida correta com nossas escolhas e decisões diante das circunstâncias.
Somos chamados a nos arrependermos de uma prática ritual e assumirmos uma nova dimensão de nossa existência
“Quanto mais, então, o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, de modo que sirvamos ao Deus vivo!” (Hebreus 9.14).
Sendo assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada e tendo os nossos corpos lavados com água pura” (Hebreus 10.22).
2. Um convite à GRAÇA.
Jesus traz, em si mesmo, tanto o símbolo do bode sacrificial quanto o do bode expiatório.
A fé em Jesus, ao reportar à simbologia sacrificial do Antigo Testamento, restaura a esperança e a confiança na libertação.
Somos convidados e superarmos a legalidade em nossas atitudes para vivenciarmos a docilidade do Espírito.
Assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam” (Hebreus 9.28).
Apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel” (Hebreus 10.23).
3. Uma proposta de COMUNHÃO.
A chamada ao arrependimento e confissão não se restringe aos pecados individuais, mas também aos pecados sociais, aqueles que promovem injustiça, exploração, opressão e desigualdade.
Somos desafiados a ir além da pureza individual e nos abrirmos para a realização de uma vida mais justa.
Porque, por meio de um único sacrifício, ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados” (Hebreus 10.14).
E consideremo-nos uns aos outros para incentivar-nos ao amor e às boas obras” (Hebreus 10.24).
Conclusão
O perdão de Jesus é completo e atinge a integralidade da pessoa humana, restaura o que há de mais humano em nós e nos liberta para sermos humanos.
E acrescenta: ‘Dos seus pecados e iniquidades não me lembrarei mais’” (Hebreus 10.17).

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