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Esboços das mensagens da série "A igreja de Jesus":
Em 29/7/2018:
A igreja que age no mundo
“Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte” (Mateus 5.13,14). 
Jesus não disse com clareza para os seus discípulos o que eles deveriam fazer como igreja, mas enfatizou o que eles deveriam ser: sal e luz do mundo.
Ser sal e luz não tem a ver com saberes adquiridos, com a conduta moral ou com regras litúrgicas, mas um jeito de ser significativo para o mundo.
Ser sal e ser luz não é ser um religioso, mas ser um sinal de graça e esperança para um mundo que perdeu o sentido e que é marcado por densas trevas.
A condição de ser um discípulo está intimamente relacionada com a figura do sal e da luz. É colocar a vida inteira em favor da vida. Para isso, precisamos ser sal e luz na medida certa.
O sal é um elemento básico e essencial para a vida humana. Usado na dose certa pode conferir sabor e cura para a vida. Mas usado na dose errada, pode resultar em doença.
A luz tem a função de tornar mais visível o que acontece a nossa volta. Pessoas que agem como luz facilitam com que a realidade possa ser percebida de forma mais clara.
Jesus usou o sal como metáfora em outras ocasiões para se referir ao sentido da vida do discípulo:
“O sal é bom, mas se deixar de ser salgado, como restaurar o seu sabor? Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os outros” (Marcos 9.50).
E:
O sal é bom, mas se ele perder o sabor, como restaurá-lo? Não serve nem para o solo nem para adubo; é jogado fora [...]” (Lucas 14:34,35).
Jesus também usou a luz como metáfora em outras ocasiões para se referir à vida do discípulo:
Ninguém acende uma candeia e a esconde num jarro ou a coloca debaixo de uma cama. Pelo contrário, coloca-a num lugar apropriado, de modo que os que entram possam ver a luz. Porque não há nada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz” (Lucas 8.16,17, em paralelo com Marcos 4.21-22).
Ninguém acende uma candeia e a coloca em lugar onde fique escondida ou debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, para que os que entram possam ver a luz. Os olhos são a candeia do corpo. Quando os seus olhos forem bons, igualmente todo o seu corpo estará cheio de luz. Mas quando forem maus, igualmente o seu corpo estará cheio de trevas. Portanto, cuidado para que a luz que está em seu interior não sejam trevas. Logo, se todo o seu corpo estiver cheio de luz, e nenhuma parte dele estiver em trevas, estará completamente iluminado, como quando a luz de uma candeia brilha sobre você” (Lucas 11.33-36).
Essas referências ao sal e à luz em outros contextos lembra bem que todos nós temos em nós mesmos algo que contribui decisivamente para que os valores do Reino de Deus alcancem outros por meio do amor, da justiça
No Sermão do Monte, essas metáforas estão inseridas numa perspectiva mais ampla, que é a da influência do discípulo no mundo. As boas obras às quais Jesus se refere são as demonstrações de cuidado e compaixão pela própria condição humana no mundo.
Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (Mateus 5.16).
Dietrich Bonhoeffer, no seu livro Discipulado, afirmou que as boas obras só podem ser compreendidas à luz da cruz e da ressurreição de Jesus. Nesse sentido, podemos entender como boas obras o cuidado com os mais vulneráveis, a promoção da paz entre os homens, as demonstrações de amor compassivo, a prática do bem e a luta em defesa da justiça.
A vida de Jesus inteira foi direcionada para revelar o amor e a justiça. Jesus foi crucificado por causa do modo como viveu e sua ressurreição é afirmação de que seus ensinos, princípios e valores são válidos para a vida humana.
Por que Jesus empregou tais metáforas?
1. O sal e a luz só fazem sentido se estiverem disponíveis para o mundo.
O sal só produz efeitos se estiver fora do saleiro. A luz só é útil se estiver posicionada estrategicamente para iluminar todo o entorno.
para que vejam as suas boas obras”
2. O sal e a luz são símbolos de nossa ação comunitária.
Jesus não se referiu a um único indivíduo, mas a todos os seus ouvintes. Ele disse: “vocês são”. Isso inclui a todas as pessoas que são alcançadas pelo chamado de seguir a Jesus.
Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens”
3. O sal e a luz produzem efeitos perceptíveis pelos outros.
Todo mudo sabe o que é um alimento sem sal ou um ambiente sem luz. A sua influência e presença são logo percebidos. Da mesma forma, as ações da igreja são fundamentais para o êxito da missão de Deus no mundo.
e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus
Conclusão
Jesus não ficou de fora dessa preocupação com o nosso jeito de ser. Ele mesmo se afirmou como a luz do mundo. Isso demonstra que o jeito de ser da igreja é o mesmo de Jesus.
Falando novamente ao povo, Jesus disse: ‘Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida’” (João 8.12).

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